sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ENSAIO SOBRE O LIVRO “O DIABO NA LIVRARIA DO CÔNEGO” DE Eduardo Frieiro

por Cristiano Melo



O presente ensaio busca apontar, sem esgotar o tema, de como a falta de registros bibliográficos eficientes, fez proliferar os plágios, bem como resgatar a história da colônia portuguesa, o Brasil, do século XVIII. Para tanto, utiliza-se do livro de Eduardo Frieiro, “O diabo na livraria do cônego”. Nascido a 05 de julho de 1889, em Matias Barbosa, MG e Falecido a 23 de março 1982, em Belo Horizonte, onde era o patrono da cadeira de nº 15 da referida cidade.


O livro de Frieiro traz informações sobre uma personagem histórica da colônia portuguesa, o Brasil, no século XVIII, como aponta Morais e Hargreaves:


“A História dos Livros de nosso país esteve por muito tempo restrita aos estudos feitos pelos bibliófilos. Ao que se sabe, o primeiro trabalho que se preocupou com a leitura no Brasil foi o de Eduardo FRIEIRO, O diabo na livraria do cônego (1981), publicado pela primeira vez em 1945, cuja proposta era pensar em termos regionais o que se lia no século XVIII” (Morais e Hargreaves, 2004, p.1)


O cônego em questão no livro tem sua biografia explorada pelo autor e explora o sequestro de bens do clérigo Luis Vieira da Silva, “...um ensaio bibliográfico à margem da história da inconfidência mineira” (Frieiro, 1945, p. 9).


Muitos historiadores o consideram como o homem mais instruído da colônia daquela época, segundo Frieiro, como J. Norberto de Sousa e outros, tanto pesquisadores contemporâneos como intelectuais do século XVIII, devido a sua eloqüente oratória e, principalmente, devido à sua coleção de livros que em seu acervo, seqüestrado pela Devassa, somavam 270 obras, com cerca de 80 volumes, coleção esta superior a intelecuais de outros países.


O que se sabe sobre o cônego é que ele era humilde mas possuía uma enorme instrução, e, o que se faz pensar como alguém tão limitado financeiramente conseguira reunir tão grande acervo de livros.


Há dois escrutínios no livro, o feito pelo próprio Frieiro que ocupa boa parte da referida obra e feito pelo escrivão José Luiz frança Lira. Os livros foram seqüestrados pela devassa por se tratarem de livros considerados “perigosos” pela igreja católica, como aconteceu a Cervantes, alguns foram queimados e outros foram poupados e arquivados na Biblioteca Nacional. O que pode ser visto e estudado por Frieiro.


O que chama a atenção de Frieiro e que é o escopo do presente ensaio, é que, durante o escrutínio oficial, muitos livros não foram catalogados com seus títulos e muitos sem a devida menção autoral, o que permitiu, segundo Frieiro, que alguns plagiários se beneficiassem desta feita, como é o caso “...do padre jesuíta Feller, plagiário emérito, que...se apropriou descaradamente da obra análoga do beneditino Chaudon.” (Frieiro, 1945, p. 33)


Villalta retoma a documentação utilizada em o diabo..., quando se propõe:


“realizar uma breve radiografia da circulação dos livros, conjugando-a com uma análise das livrarias dos inconfidentes e de uma personagem da ordem: o bispo de Mariana, do frei Domingos da Encarnação Pontével” (Villalta, 1996, p. 369)


Interessante também é observar que mesmo o cônego tendo sido torturado na Devassa, o mesmo era portentor de censura, uma vez que era bispo da Sé de Mariana, o que para alguns autores poderia ser o motivo para tantos livros em sua posse, muito embora o prórpio Frieiro o trate às raias de um herói, uma vez que não conseguiram “arrancar” dele nenhuma informação sobre a inconfidência, talvez não tivesse mesmo o que se tirar de alguém que possivelmente poderia se valer de seu posto para adquirir livros e apenas deleitar-se com as suas leituras.


O tema da apropriação do discurso de outra pessoa é tratado diretamente no livro, onde se aponta que partes de obras eram retalhadas e construídas da forma que queria o plagiador, tanto de maneira implícita como explícita.


De onde se verifica a importância da referência bibliográfica para que se dê os devidos créditos aos autores de suas obras. O livro em si é um alerta para que se abram arquivos confiscados e que a censura acaba ceifando a liberdade de expressão de seus autores.


Referências Bibliográficas


FRIEIRO, E. O diabo na livraria do cônego, Livraria Cultura Brasileira LTDA, 1ª Ed., Belo horizonte, 1945.


MORAIS, C. C. I seminário brasileiro sobre livro e história editorial. Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro, 2004.


VILLALTA, L. C. O diabo na livraria dos inconfidentes. In: NOVAES, A. (org.) Tempo e história. SP: Schwarcz, 1996.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ENSAIO SOBRE PERIÓDICO CIENTÍFICO E A AVALIAÇÃO PELOS PARES

por Cristiano Melo


Atualmente, os periódicos científicos assumem características pouco distintas das que o iniciaram no século XVII com os periódicos francês e inglês, mas com a popularização da internet e as Tecnologias de Informação e Comunicação há uma verdadeira revolução na recuperação destes periódicos, bem como na sua apreciação pelos pares.

O presente ensaio busca jogar luz nestas modificações, bem como os possíveis caminhos eu o periódico científico e a sua avaliação pelos pares tomam na atualidade, buscando um pouco de seus aspectos históricos e epistemológicos, mas não intenta um aprofundamento nem um esgotamento do tema, pois este deve ser abordado posteriormente em um artigo científico.

Segundo Bourdieu:

O periódico científico, no processo de comunicação da ciência, funciona como uma das instâncias de consagração. Ao atuar como um filtro seletivo, reproduzindo as sanções e exigências próprias do campo científico, confere valor às pesquisas e as situa no seu grau de originalidade em relação ao conhecimento já acumulado em determinada área do conhecimento. (Bourdieu,1983,1996).

Vários autores corroboram que o modelo ideal de periódico é um instrumental qualitativo. Garante a memória da ciência, aponta seu grau de evolução, estabelece a propriedade intelectual, legitima novos campos de estudos e disciplinas, constitui-se em fonte para o início de novas pesquisas, dando visibilidade e prestígio aos pesquisadores entre um público altamente especializado, os seus pares. ¹

Na medida em que não existe investigação sem estratégias específicas de divulgação de seus resultados, ou seja, de reconhecimento entre os pesquisadores-concorrentes de um mesmo segmento, o periódico científico assume o papel de principal veículo formal da comunicação científica.²

Desde o surgimento do Journal de Sçavans na França e do Philosophical Transactions of the Royal Society na Inglaterra, ambos de 1665, as transformações da comunidade científica, suas exigências e inter esses, assim como as tecnologias disponíveis, foram gradualmente conformando as práticas editoriais dos periódicos. ³

O próprio objeto foi se modificando gradualmente, oferecendo novas possibilidades de leitura, acesso e de ratificação do que é científico. Atualmente assiste-se a uma crise no modelo clássico de produção, distribuição e consumo dos periódicos científicos, processo esse que também passa pela inevitável migração do suporte tradicional impresso para o eletrônico, sinalizando mudanças tanto no mercado editorial da comunicação científica como nas estratégias de visibilidade do conhecimento (Gruszynski e Colin, 2006).

A transição entre os suportes impresso e eletrônico, um processo que aponta para a hegemonia do eletrônico a curto prazo, não foge totalmente dos modelos tradicionais ainda vigentes no financiamento das revistas científicas. Segundo Briquet de Lemos (2005), são eles: a) pagamento de assinatura e eventualmente pagamento da publicação pelo autor; b) pagamento da publicação pelo autor e acesso livre; c) os títulos são custeados por suas instituições ou com apoio governamental. Ao oferecer assinaturas de periódicos eletrônicos, as editoras aplicam preços flutuantes baseados em pacotes com número e composição variável de títulos disponíveis ao cliente. Significa o aluguel temporário de um serviço e a impossibilidade de conservar uma coleção; a interrupção da assinatura implica na perda total do acesso ou do acesso parcial conforme pagamento proporcional ao tempo de uso.

A avaliação pelos pares ainda se pode dizer que, a avaliação é mais que uma ação cotidiana na ciência; ela é parte integrante do processo de construção do conhecimento científico. É através da avaliação – seja de artigos para publicação, seja do currículo de um pesquisador para contratação, seja de um projeto de pesquisa submetido para financiamento, seja de outras várias situações e atores – que se definem os rumos, tanto do próprio conteúdo da ciência quanto das instituições a ela vinculadas. Diante disso, não surpreende que a avaliação da atividade científica tenha surgido com a própria ciência.

A utilização sistemática de referees, ou árbitros, para avaliar a atividade científica é apenas um exemplo de juízes encarregados de avaliar a qualidade do desempenho num sistema social. Esses juízes encontram-se em todos os âmbitos institucionais, sendo parte integral do sistema de controle social, avaliando os desempenhos e distribuindo recompensas (Zuckerman e Merton, 1973, p. 460). Na ciência, entretanto, a avaliação tem uma caraterística especial: as recompensas devem ser decididas na base da "análise por iguais" (Roy, 1984, p. 316). No processo de desenvolvimento e consolidação da ciência como instituição social, a revisão por pares define-se como ‘o’ método de avaliação formal, ‘o’ mecanismo auto-regulador da ciência moderna (Chubin e Hackett, 1990, p. 3). Tal procedimento contribui para a consolidação da comunidade científica, na medida em que são seus integrantes os únicos que definem as regras de acesso e exclusão e que, através de uma hierarquia própria, distribuem internamente tanto prestígio e autoridade como recursos (Nicoletti, 1985,p.12).

Num sentido estrito, o método de julgamento por pares "baseia-se somente na avaliação de outros pesquisadores da mesma disciplina" (Cole, Rubin e Cole, 1977, p. 34), ou da "mais próxima subespecialidade que seja possível encontrar" (Roy, 1984, p. 318), do mesmo ou superior nível acadêmico. Alguns autores, entretanto, preferem utilizar o termo num sentido mais amplo, mais genérico: "um método organizado para avaliar o trabalho científico, que é usado pelos cientistas para garantir que os procedimentos estejam corretos, estabelecer a plausibilidade dos resultados e distribuir recursos escassos – como o espaço em revistas, fundos de pesquisa, reconhecimento e reputação" (Chubin e Hackett, 1990, p. 2). Ou seja, a definição de par faz-se mais ampla, mas mantém-se dentro dos limites da comunidade científica: os ‘colegas’ são os cientistas "capazes de conhecer o estado da arte no campo e dar um parecer sobre a qualidade do objeto avaliado" (Spagnolo, 1989, p. 123).

Referencias bibliográficas

BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (Org.) Pierre Bourdieu. São Paulo: Ática, 1983.

BOURDIEU, Pierre. Razões práticas. Sobre a teoria da ação. Campinas,SP: Papirus, 1996.

CHUBIN, Daryl e HACKETT, Edward 1990 Peerless science: peer review and US science policy. Albany, State University of New York Press.

COLE, Stephen; RUBIN, Leonard e COLE, Jonathan 1977 Peer review and the support of science. Scientific American, 237(4): 34-41.

GRUSZINSKI, Ana Cláudia e GOLIN, Cida. Periódicos científicos nos suportes impresso e eletrônico: apontamentos para um estudo-piloto na UFRGS. Revista de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación www.eptic.com.br, Vol. VIII, n. 2, mayo – ago. 2006.

MARCHIORI, Patrícia Z.; ADAMI, Anderson. Autoria e leitura de artigos por docentes

pesquisadores: motivações e barreiras. In: FERREIRA, Sueli M. S. P.; TARGINO, Maria das Graças. Preparação de revistas científicas – teoria e prática. São Paulo: Reichmann & Autores, 2005, pp. 73-100

MEADOWS, Arthur Jack. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.

MEADOWS, Arthur Jack. 2001. Os periódicos científicos e a transição do meio impresso para o eletrônico. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 25, n.1, p.5-14, jan./jun. 2001.

NICOLETTI, Lenita 1985 Participação da comunidade científica na política de C&T: o CNPq. Brasília, CNPq, texto 16. (mimeo.)

ROY, Rustum 1984 ‘Alternatives to review by peers: a contribution to the theory of scientific choice’. Minerva, 22:316-28.

SPAGNOLO, Fernando 1989 Assesment of graduate programs: the Brazilian case. Tese de doutoramento, Sussex, Reino Unido, Universidade de Sussex. (mimeo.)


_______________________________________________

NOTA


¹Marchiori e Adami, 2005; Meadows , 1999; Stumpf, 1996; Biojone, 2003.

² Bourdieu, 1983; Oliveira, 2005.

³ Meadows (1999) faz um resgate das principais mudanças ocorridas nas formas de apresentação das revistas

científicas nas páginas 11 a 14 da obra A comunicação científica.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Curso de Formação Continuada para Mediadores de Leitura

Curso ministrado pela Professora Alba Ferreira
Local: Sala de Multiusos da BDB, nos dia 11, 12 e 13 de novembro, 4ª, 5ª e 6, manhã e tarde

Realização: Ana Maria da Costa Souza - Coordenadora do Comitê PROLER-DF
Setor de Projetos Especiais
Biblioteca Demonstrativa de Brasília
Fundação Biblioteca Nacional
(61)3244-4015 - 7h30 -13h30 / Cláudia Lopes ou Raquel Loureiro ( a partir de 14h)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Revista Cultural Novitas 2


Já está disponível a segunda edição da Revista Cultural Novitas.



Participam dessa edição:

David Nóbrega -
opinião - A cultura do paliativo
Daliana Cascudo Roberti Leite -
ensaio - Luís da Câmara Cascudo: Um provinciano incurável
Banda Back -
música - História da banda por Thiago
-
Poesia -
Leonardo Schabbaci - Humanidade
Cezarina Caruso - Último ato
José Fernando - Vadia
Alexandre Câmara - Um gosto de ânsia na boca
Anna Ribeiro - Noite
Rosemari - Cálice Derramado
David Nobrega - Só
Marcos de Andrade - Porque é natal
Eduardo Manciolli - Desespero
Joe Brazuca - Acróstico do boi premonitório
Hercília Fernandes - Falácias de amor

Douglas Zimmermann -
cartoon & cia
Matheus Costa - na tela - Os "intelectuais querem a crise na televisão e teledramaturgia
-
Contos, Prosas e Crônicas -
Ricardo Porto - O auto do padre Antônio
Tatiana Cavalcanti - Eu queria mais uma chance
Flávia Brito - (A) Parte
Madalena Barranco - O mirante dos aviões
Alex Sens - HI-FI
Cristiano Melo - Teodora
Lú Cavuchioli - De cimento e sangue

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