por Cristiano Melo
O presente ensaio busca apontar, sem esgotar o tema, de como a falta de registros bibliográficos eficientes, fez proliferar os plágios, bem como resgatar a história da colônia portuguesa, o Brasil, do século XVIII. Para tanto, utiliza-se do livro de Eduardo Frieiro, “O diabo na livraria do cônego”. Nascido a 05 de julho de 1889, em Matias Barbosa, MG e Falecido a 23 de março 1982, em Belo Horizonte, onde era o patrono da cadeira de nº 15 da referida cidade.
O livro de Frieiro traz informações sobre uma personagem histórica da colônia portuguesa, o Brasil, no século XVIII, como aponta Morais e Hargreaves:
“A História dos Livros de nosso país esteve por muito tempo restrita aos estudos feitos pelos bibliófilos. Ao que se sabe, o primeiro trabalho que se preocupou com a leitura no Brasil foi o de Eduardo FRIEIRO, O diabo na livraria do cônego (1981), publicado pela primeira vez em 1945, cuja proposta era pensar em termos regionais o que se lia no século XVIII” (Morais e Hargreaves, 2004, p.1)
O cônego em questão no livro tem sua biografia explorada pelo autor e explora o sequestro de bens do clérigo Luis Vieira da Silva, “...um ensaio bibliográfico à margem da história da inconfidência mineira” (Frieiro, 1945, p. 9).
Muitos historiadores o consideram como o homem mais instruído da colônia daquela época, segundo Frieiro, como J. Norberto de Sousa e outros, tanto pesquisadores contemporâneos como intelectuais do século XVIII, devido a sua eloqüente oratória e, principalmente, devido à sua coleção de livros que em seu acervo, seqüestrado pela Devassa, somavam 270 obras, com cerca de 80 volumes, coleção esta superior a intelecuais de outros países.
O que se sabe sobre o cônego é que ele era humilde mas possuía uma enorme instrução, e, o que se faz pensar como alguém tão limitado financeiramente conseguira reunir tão grande acervo de livros.
Há dois escrutínios no livro, o feito pelo próprio Frieiro que ocupa boa parte da referida obra e feito pelo escrivão José Luiz frança Lira. Os livros foram seqüestrados pela devassa por se tratarem de livros considerados “perigosos” pela igreja católica, como aconteceu a Cervantes, alguns foram queimados e outros foram poupados e arquivados na Biblioteca Nacional. O que pode ser visto e estudado por Frieiro.
O que chama a atenção de Frieiro e que é o escopo do presente ensaio, é que, durante o escrutínio oficial, muitos livros não foram catalogados com seus títulos e muitos sem a devida menção autoral, o que permitiu, segundo Frieiro, que alguns plagiários se beneficiassem desta feita, como é o caso “...do padre jesuíta Feller, plagiário emérito, que...se apropriou descaradamente da obra análoga do beneditino Chaudon.” (Frieiro, 1945, p. 33)
Villalta retoma a documentação utilizada em o diabo..., quando se propõe:
“realizar uma breve radiografia da circulação dos livros, conjugando-a com uma análise das livrarias dos inconfidentes e de uma personagem da ordem: o bispo de Mariana, do frei Domingos da Encarnação Pontével” (Villalta, 1996, p. 369)
Interessante também é observar que mesmo o cônego tendo sido torturado na Devassa, o mesmo era portentor de censura, uma vez que era bispo da Sé de Mariana, o que para alguns autores poderia ser o motivo para tantos livros em sua posse, muito embora o prórpio Frieiro o trate às raias de um herói, uma vez que não conseguiram “arrancar” dele nenhuma informação sobre a inconfidência, talvez não tivesse mesmo o que se tirar de alguém que possivelmente poderia se valer de seu posto para adquirir livros e apenas deleitar-se com as suas leituras.
O tema da apropriação do discurso de outra pessoa é tratado diretamente no livro, onde se aponta que partes de obras eram retalhadas e construídas da forma que queria o plagiador, tanto de maneira implícita como explícita.
De onde se verifica a importância da referência bibliográfica para que se dê os devidos créditos aos autores de suas obras. O livro em si é um alerta para que se abram arquivos confiscados e que a censura acaba ceifando a liberdade de expressão de seus autores.
Referências Bibliográficas
FRIEIRO, E. O diabo na livraria do cônego, Livraria Cultura Brasileira LTDA, 1ª Ed., Belo horizonte, 1945.
MORAIS, C. C. I seminário brasileiro sobre livro e história editorial. Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro, 2004.
VILLALTA, L. C. O diabo na livraria dos inconfidentes. In: NOVAES, A. (org.) Tempo e história. SP: Schwarcz, 1996.

